quinta-feira, 14 de abril de 2016


Sobre a saudade...

Estranhos são os sintomas de saudade. Sinto saudades de quem está longe, família, amigos, meus lugares favoritos, os cheiros nos cafés preferidos, andar nas mesmas ruas, ver a mesma correria. Há momentos em que a saudade aperta tanto que angustia.
Mas de todos os sintomas dessa estranha saudade, palavra tão diferenciada que só existe na nossa língua portuguesa, o mais estranho é sentir saudade de mim mesma.
Saudades de falar besteiras à vontade e sem preocupação, de ter frouxos de risos, vendo que causei grandes risadas também. Saudades daquela doce liberdade de sermos apenas nós mesmos.
Parece que quando somos estranhos em ninhos alheios, estamos sempre estudando a melhor frase, o melhor sorriso, aterroriza o medo da inadequação. E esses momentos geram reações antagônicas. Um encolhimento de nossas ações, palavras e trejeitos, pelo medo da rejeição, ou a explosão de todos eles, numa metralhadora giratória, na primeira oportunidade onde sentimos poder nos expressar.
Em ambos os casos, o resultado é catastrófico. Numa nos sufocamos, na outra nos arrependemos. E dói. Se encaixar dói. Dói ser alguém que sente tantas coisas, dói ser um poço de sentimentos. Dói sentir saudade.


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