Sobre a saudade...
Estranhos são os sintomas de saudade. Sinto saudades de quem
está longe, família, amigos, meus lugares favoritos, os cheiros nos cafés
preferidos, andar nas mesmas ruas, ver a mesma correria. Há momentos em que a
saudade aperta tanto que angustia.
Mas de todos os sintomas dessa estranha saudade, palavra tão
diferenciada que só existe na nossa língua portuguesa, o mais estranho é sentir
saudade de mim mesma.
Saudades de falar besteiras à vontade e sem preocupação, de
ter frouxos de risos, vendo que causei grandes risadas também. Saudades daquela
doce liberdade de sermos apenas nós mesmos.
Parece que quando somos estranhos em ninhos alheios, estamos
sempre estudando a melhor frase, o melhor sorriso, aterroriza o medo da
inadequação. E esses momentos geram reações antagônicas. Um encolhimento de
nossas ações, palavras e trejeitos, pelo medo da rejeição, ou a explosão de
todos eles, numa metralhadora giratória, na primeira oportunidade onde sentimos
poder nos expressar.
Em ambos os casos, o resultado é catastrófico. Numa nos
sufocamos, na outra nos arrependemos. E dói. Se encaixar dói. Dói ser alguém que sente tantas coisas, dói ser um poço de sentimentos.
Dói sentir saudade.
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